Hoje percebi porque raio nos sentimos ás vezes sós no meio da multidão, porque raio apesar de calmos, logo que vamos para um local mais populado nos invade um mal estar que se torna geral em torno de nós.
Estava a degustar o meu lanche sozinha e apercebi-me que a minha bolha pessoal (distância física que mantenho dos outros comuns mortais) era um raio de uns 5 ou 6 metros… Então comecei a pensar:
As pessoas estão todas tão agitadas, stressadas, andam quase a correr a fazer as suas compras, empurram, falam alto, gritam, incomodam e são incomodadas… O pior é que eu estava bastante tranquila, introspectiva até, fiquei apenas a estudar os comportamentos dos outros e a aperceber-me como agia eu também. Os outros fingiam que não se viam uns aos outros, passando apressadamente sem sequer olhar nos olhos quem lá vinha, eu estava sozinha e sem a mínima vontade de interagir com aquela avalanche de gente doida por se despachar, doida por se apressar de chegar nem sei onde… Costuma dizer-se “Para quê ter pressa se o fim está lá?” e é uma boa verdade… Geralmente tenho realmente pressa quando estou atrasada para um exame, ou para apanhar aquele autocarro, uma vez que só aquele é que posso apanhar, são situações em que não controlo nem posso controlar de forma nenhuma a passagem do tempo. Parece-me a mim que num centro comercial, onde estava hoje á tarde, ninguém sabe o significado da palavra esperar… Dei comigo a querer despachar-me o mais rápido possível daquela confusão para poder continuar a sentir a paz de espírito de até então. Estes fenómenos grupais fazem-me sempre pensar que um indivíduo não é “nada” comparado com a multidão… Também eu me apressei a fazer as minhas compras, no fim…
Eu até sou uma pessoa pacifica, não vou dizer calma porque seria exagero, mas sou bastante pacifica, mas dei comigo a reagir tal e qual como o acumulado de pessoas que estavam ás compras nesta tarde de sábado, a despachar-me e a não conviver com ninguém que lá estivesse, tirando a senhora da caixa, claro está =)…
Acho que quando terminar a minha licenciatura me vou dedicar a estudar os fenómenos grupais ou os comportamentos quando se está no meio de um imenso mar de gente. É frequente repararmos mais nos outros se estamos sozinhos e o mesmo me parece que se aplica ao contrário. É caso para dizer que estamos sozinhos mas acompanhados, mas quem se sente acompanhado num mar de gente estranha e desconhecida que ainda por cima se move com tal rapidez e destreza que mal reparamos neles? Julgo que ninguém. A conclusão que tiro de tudo isto é que se se sentirem sozinhos não devem procurar um local deste género. Aqui ficam alguns conselhos:
* Uma caminhada até á praia;
* Ler um bom livro;
* Seguir uma série de televisão;
* Um jogging;
* Andar de bicicleta;
* Falar com os vizinhos;
* Brincar com animais.
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