segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quero pintar a minha vida de todas as cores...

Quando o coração pulsa depressa, a pele se arrepia, as pupilas se dilatam… Este podia ser o inicio deste artigo, esta semana que passou foi realmente, como direi?! Emocionante, tocante, não consigo achar a palavra certa, vou limitar-me a descreve-la…
Começo por sair para uma viagem alucinante até ao fim do mundo… Bom, quase… Confesso que fiquei apaixonada pela beleza do local. Era uma Serra, de um verde intenso e com um cheiro a pinheiro muito característico, cheiro tão característico que o meu nariz de “cão perdigueiro” nunca tinha sentido antes… Foi amor á primeira vista, amei aquela Serra logo que cheguei. Amei aquela Serra, as pessoas com quem pude trabalhar toda a semana, as pessoas que conheci…
Foi uma semana rica em experiências novas, esta semana a minha tarefa era fazer animação com um grupo de pessoas invisuais, tarefa que poderia ter sido muito mais complicada se não estivesse acompanhada por uma veterana no assunto, a quem agradeço desde já toda a ajuda, paciência e ensinamentos transmitidos.
Não há nada que pague a felicidade estampada no rosto de pessoas para quem a felicidade não é mais que uma lembrança á muito distante… Com coragem e determinação todos eles, cada um a seu tempo, se foi libertando, se foi revelando, alguns correram, outros dançaram loucamente, outros pularam… Todos eles nos vêem, TODOS, vêem-nos de forma diferente é verdade, vêem a alma, não o corpo… Imaginam os nossos traços com curiosidade, mas veêm algo que um monovisual não vê de caras, o lado mais espiritual, no fundo, o lado que mais importa ver e conhecer… Não é estranho? Vivemos obcecados com a nossa aparência, com a forma pela qual nos apresentamos perante os outros, um cego também se arranja, claro está, mas é diferente… Os que lidam bem com a cegueira não sentem necessidade de esconder os olhos atrás de uns óculos escuros, esses são aqueles que vivem felizes e que ultrapassaram o trauma deixado pela cegueira.
Outra coisa fantástica que descobri, este grupo tinha a perfeita noção do espaço, eram tão autónomos que sozinhos iam até á tasca num grupinho de 4 ou 5, completamente destemidos e cheios de vontade de beber o seu copito, de tinto, claro está. Para eles 5 minutos sem fazerem nada são uma eternidade, o que é muito fácil de entender, quando não se vê o que está á nossa volta recorremos a outros sentidos, como a audição, para nos mantermos entretidos. A verdade é que mesmo apesar de cada um de nós, que vê, ter feito os mesmos exercícios que cada um deles, mas de olhos fechados, a nossa sensação inicialmente pode ser de desconforto e até algum receio de nos magoarmos, mas o que é bem certo é que daí a uns minutos vamos tirar a venda dos olhos e ver novamente, o que não acontece com eles. O que quero com isto dizer é que por mais que possamos entender o que sentem, nunca será a mesma coisa pois a realidade que vivem vai muito para além do desconforto que podemos sentir por ficar 5 minutos sem ver.
Com esta semana fantástica consegui:
*Dar mais valor á vida;
*Perceber a sorte que tenho ao contemplar com todos os sentidos o que me rodeia;
*Apaixonar-me cada vez mais, pelas pessoas, pelo meu trabalho;
*Entregar-me de alma e coração ao que faço;
*Viver a 100%.

Por último deixo a letra de uma música:

TELA – Santos e Pecadores

Quero pintar a minha vida de todas as cores
quero pintar...por ti
e quando chegar o momento
deixa-te pintar
deixa-te levar
deixa-te pintar
na minha sala sob a luz do luar
perde-te no tempo... deixa-te levar
pintei o teu corpo numa tela
esculpi o teu rosto à luz da vela
pintei o teu corpo... pintei

Quero pintar a minha vida de todas as cores
e vou-me lembrar... de ti
e quando chegar o momento
deixa-te levar
deixo-me encantar
deixa-te pintar
na minha sala sob a luz do luar
perde-te no tempo... deixa-te levar
pintei o teu corpo numa tela
esculpi o teu rosto à luz da vela
pintei o teu corpo... pintei

sábado, 11 de setembro de 2010

Tell me your secrets… Let´s go back to the stars… (COLDPLAY)

Sentada num local magnífico, poderia sentir-me privilegiada, mas falta qualquer coisa… Depois da semana de trabalho e também de diversão que passou, fico com a terrível sensação de que falta algo. Sou cada vez mais obstinada pelo trabalho, presa por sentimentos intensos, por histórias de vida impressionantes, sinto-me a flutuar na minha de cada vez que deixo os meus “anjos” voarem sozinhos, no fim de cada semana de trabalho com todos eles. Falo de jovens incrivelmente talentosos, de jovens cujos passados (nalguns casos) foram verdadeiramente injustos e terríveis, mas que cada um deles é um exemplo da coragem e força que todos devemos ter, frente a qualquer adversidade desta vida.
Esta foi outra semana fantástica, conheci gente genuinamente meiga, amiga, companheira, gente incrível, posso mesmo dizê-lo…
Fico, normalmente, com uma sensação de dever cumprido, no fim de cada semana, mas para além disso, nesta semana em especial sinto-me a flutuar, não sinto os pés assentes na terra, estou ainda a tentar interiorizar tudo aquilo que vivi e aprendi nesta última semana. Há quem me chame neurótica, dramática, eu diria que sou humana, não passo ao lado quando vejo alguém a sofrer, faço até o que me é permitido eticamente falando e o que não é. Ultrapasso barreiras, excedo os meus limites, estico a corda é verdade, mas não passo ao lado daquilo que julgo não dever passar. Além de monitora, tornei-me amiga, sou até às vezes confidente (não que o faça com esse propósito, mas acontece), é nessa altura que fico a saber histórias de vida impressionantes… Cada um daqueles pequenos adultos transporta consigo um peso grande, vivendo com familiares, em instituições, em colégios, sem terem (tal como eu tenho essa sorte, um pai e uma mãe que cuidem de si…)
Não é injusto?
Talvez tenha chegado a hora de contar um pouco mais da minha história: sou filha de pais separados, somos 3 irmãos, todos inseguros na altura de fazer decisões, não somos unidos entre nós e vivemos separados. Há 7 anos o que era uma família de 5 pessoas desmoronou-se e transformou-se em duas famílias, cerca de 3 anos mais tarde saí de casa e fui estudar para fora, sentindo a partir daí que não pertencia nem a uma nem á outra. Tenho uma sorte danada por ainda ter família e hoje, pensando bem no assunto, vejo isso com muita clareza, a verdade é que tem de haver um acontecimento qualquer ou alguma situação trágica, para que nos apercebamos de algo que sempre ali esteve e nunca vimos ou nunca demos valor. A verdade é que se pensares bem tens algo de muito bom que por e simplesmente, não vias, ou vês… Neste trabalho tenho estado a educar jovens sem pais, sem irmãos, que vivem em instituições, em colégios, ou com um familiar, jovens que não têm quase ninguém neste mundo… Sinto-me estupidamente cega porque tenho tudo isso e por e simplesmente (pela distância que se foi criando, com o passar dos anos…) deixei de dar valor. Termino dizendo que me sinto a flutuar e não a andar, sempre fui muito sensível aos problemas dos outros, este fim-de-semana especialmente não tenho o corpo e a alma em sintonia, o corpo move-se independente de uma alma que ficou algures perto dos meus “anjinhos” de quem me despedi ontem…
Espero que esta reflexão partilhada vos faça pensar, na próxima vez que não estejam a ser justos, pensem em tudo aquilo que têm…
Um abraço apertado como aqueles que recebi dos meus meninos esta semana e dos quais já tenho imensas saudades…