Quando o coração pulsa depressa, a pele se arrepia, as pupilas se dilatam… Este podia ser o inicio deste artigo, esta semana que passou foi realmente, como direi?! Emocionante, tocante, não consigo achar a palavra certa, vou limitar-me a descreve-la…
Começo por sair para uma viagem alucinante até ao fim do mundo… Bom, quase… Confesso que fiquei apaixonada pela beleza do local. Era uma Serra, de um verde intenso e com um cheiro a pinheiro muito característico, cheiro tão característico que o meu nariz de “cão perdigueiro” nunca tinha sentido antes… Foi amor á primeira vista, amei aquela Serra logo que cheguei. Amei aquela Serra, as pessoas com quem pude trabalhar toda a semana, as pessoas que conheci…
Foi uma semana rica em experiências novas, esta semana a minha tarefa era fazer animação com um grupo de pessoas invisuais, tarefa que poderia ter sido muito mais complicada se não estivesse acompanhada por uma veterana no assunto, a quem agradeço desde já toda a ajuda, paciência e ensinamentos transmitidos.
Não há nada que pague a felicidade estampada no rosto de pessoas para quem a felicidade não é mais que uma lembrança á muito distante… Com coragem e determinação todos eles, cada um a seu tempo, se foi libertando, se foi revelando, alguns correram, outros dançaram loucamente, outros pularam… Todos eles nos vêem, TODOS, vêem-nos de forma diferente é verdade, vêem a alma, não o corpo… Imaginam os nossos traços com curiosidade, mas veêm algo que um monovisual não vê de caras, o lado mais espiritual, no fundo, o lado que mais importa ver e conhecer… Não é estranho? Vivemos obcecados com a nossa aparência, com a forma pela qual nos apresentamos perante os outros, um cego também se arranja, claro está, mas é diferente… Os que lidam bem com a cegueira não sentem necessidade de esconder os olhos atrás de uns óculos escuros, esses são aqueles que vivem felizes e que ultrapassaram o trauma deixado pela cegueira.
Outra coisa fantástica que descobri, este grupo tinha a perfeita noção do espaço, eram tão autónomos que sozinhos iam até á tasca num grupinho de 4 ou 5, completamente destemidos e cheios de vontade de beber o seu copito, de tinto, claro está. Para eles 5 minutos sem fazerem nada são uma eternidade, o que é muito fácil de entender, quando não se vê o que está á nossa volta recorremos a outros sentidos, como a audição, para nos mantermos entretidos. A verdade é que mesmo apesar de cada um de nós, que vê, ter feito os mesmos exercícios que cada um deles, mas de olhos fechados, a nossa sensação inicialmente pode ser de desconforto e até algum receio de nos magoarmos, mas o que é bem certo é que daí a uns minutos vamos tirar a venda dos olhos e ver novamente, o que não acontece com eles. O que quero com isto dizer é que por mais que possamos entender o que sentem, nunca será a mesma coisa pois a realidade que vivem vai muito para além do desconforto que podemos sentir por ficar 5 minutos sem ver.
Com esta semana fantástica consegui:
*Dar mais valor á vida;
*Perceber a sorte que tenho ao contemplar com todos os sentidos o que me rodeia;
*Apaixonar-me cada vez mais, pelas pessoas, pelo meu trabalho;
*Entregar-me de alma e coração ao que faço;
*Viver a 100%.
Por último deixo a letra de uma música:
TELA – Santos e Pecadores
Quero pintar a minha vida de todas as cores
quero pintar...por ti
e quando chegar o momento
deixa-te pintar
deixa-te levar
deixa-te pintar
na minha sala sob a luz do luar
perde-te no tempo... deixa-te levar
pintei o teu corpo numa tela
esculpi o teu rosto à luz da vela
pintei o teu corpo... pintei
Quero pintar a minha vida de todas as cores
e vou-me lembrar... de ti
e quando chegar o momento
deixa-te levar
deixo-me encantar
deixa-te pintar
na minha sala sob a luz do luar
perde-te no tempo... deixa-te levar
pintei o teu corpo numa tela
esculpi o teu rosto à luz da vela
pintei o teu corpo... pintei
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