terça-feira, 4 de maio de 2010

Um dia dos diabos…

Pensei que conseguia, mas não dá, não resisto… Tenho de por isto em escrita e não só em forma de pensamentos…Tem de ser já!
Sabem aqueles dias em que sentem que fizeram mil e uma coisas, se sentem exaustos no fim do dia, com uma dor horrorosa no fim da coluna vertebral, mas mesmo assim pensam: “Nah! Eu tenho tempo para mais isto, só mais isto, depois deito-me!” é aquele sentimento do dever cumprido, sabem? Ai está aquilo que melhor define o meu estado de espírito hoje: dever cumprido! Entre todo o trabalho diário que costumo ter, acrescentando mais algum de intensa pesquisa, uma visita a um lar de terceira idade, onde me arrepiei de cima a baixo por conseguir fazer sorrir aqueles pobres velhotes que ali estão todo o santo dia e pelos quais ninguém nada, ou muito pouco, faz… Se vissem a forma como ao inicio nos olharam meio “de banda”, com alguma desconfiança (de compreender, de resto) quando os tentámos levar para a roda de pares onde estávamos a dançar… Aceitaram o nosso convite duas amáveis senhoras, no fim da animação pelos menos eram 6, o sentimento com que fico é o de dever cumprido, sem dúvida! É sinónimo de ter feito um bom trabalho, enquanto animadora, é sinónimo de felicidade para cada um dos participantes… E se eles bem precisavam de participar neste tipo de coisas mais vezes, viver num lar é muito MUITO triste… Cada vez mais me convenço que quem lá “deposita” os seus entes queridos, considera-os tudo menos isso, queridos!
A minha noite também teve a ver com causas nobres, desta vez foi a vez de um grupo muito especial, vi um evento totalmente feito por pessoas com deficiência física. Sabem uma coisa? Percebi que os deficientes somos nós, os ditos “normais” e sabem porquê? Porque ao não olharmos com os mesmos olhos para cada pessoa com deficiência estamos a ser tudo menos normais! Imaginam o amor que cada pessoa deficiente nos pode transmitir? O mesmo que qualquer um dos tais do grupo “normal”. Á que parar de ignorar esta realidade, tentar viver com ela, apoiando este tipo de pessoas que são pessoas muito, mas MUITO especiais! Todo o ser humano está unido por várias coisas, entre elas os sentimentos. Quando olharem a próxima vez para uma pessoa com deficiência pensem bem se não estarão a ser vocês mesmos os diferentes, ao nem sequer a tratarem como tratariam uma pessoa “normal”… Se formos bem BEM ao fundo da questão vão perceber que além de diferentes uns dos outros, somos todos deficientes, sim, TODOS! Sabiam que ter um braço maior que outro é uma deficiência? Ter um mísero distúrbio na fala, como os popularmente chamados de “sopinhas de massa” também o é, tal como usar óculos, aparelho nos ouvidos… Isto tudo são carências do nosso corpo, ou diferenças, não seremos todos uma cambada de hipócritas cretinos que teme em fechar os olhos para uma realidade que está aí, á vista de todos?
Esta noite chorei, ri, mas acima de tudo senti que o importante é estar vivo e dar valor a todas as minhas capacidades, afinal de contas estou viva, não interessa se tenho ou não uma deficiência (se formos a pensar bem, se não a tiver mais motivos tenho para tentar viver melhor ainda!...)
Da próxima vez que se sintam em baixo pensem nisto.

TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS!



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